Livro: Como a música ficou grátis: o fim de uma indústria, a virada do século e o paciente zero da pirataria

Autor: Stephen Witt

Páginas: 272

Editora: Intrínseca

Sinopse: Como a música ficou grátis – O que acontece quando uma geração inteira comete o mesmo como a musica ficou gratiscrime? Uma trama impressionante envolvendo música, crime, dinheiro e obsessão, cujos protagonistas são magnatas, pesquisadores respeitados, criminosos e adolescentes nerds fissurados em tecnologia. Em Como a música ficou grátis, o jornalista Stephen Witt investiga a fundo a história secreta da pirataria de músicas na internet, partindo dos engenheiros alemães criadores do mp3, passando por uma fábrica de CDs na Carolina do Norte da qual um funcionário chamado Dell Glover vazou cerca de dois mil álbuns ao longo de uma década e também pelo centro de Manhattan, onde o executivo Doug Morris dominou o mercado mundial do rap, e depois se aprofundando pelos redutos mais obscuros da web até um site ilegal quatro vezes maior que a loja do iTunes. Por meio desses personagens, o autor constrói uma narrativa empolgante, remontando ao momento em que a vida comum se imbricou irreparavelmente com o mundo virtual, quando de repente todas as músicas já gravadas foram disponibilizadas de graça na internet. Seguindo a tradição de escritores como Michael Lewis, Witt nos apresenta figuras inesquecí- veis — inventores, executivos da indústria fonográ- fica, operários e ladrões — que transformaram toda uma forma de arte e revela o submundo dos piratas de mídias que revolucionaram o universo digital. Uma história nunca antes contada de ganância, astúcia, genialidade e fraude, Como a música ficou grátis não é apenas um livro sobre a indústria fonográfica — é uma leitura obrigatória sobre a construção da própria internet.

Quem me conhece sabe o quanto sou apaixonada por música. Atualmente não consigo acompanhar tanto o cenário musical como gostaria, mas ainda continuo gostando e é uma área que acho fascinante.

Mês passado tive a sorte de ganhar uma promoção no facebook da Intrínseca, e pude escolher um dos livros que estava na imagem do sorteio. Entre eles até haviam outros dois livros que eu tinha interesse, mas no fim “Como a música ficou grátis” me chamou mais atenção e acabei optando por ele.

Até então eu não tinha ouvido falar sobre esse livro, e fui buscar a sinopse antes de me decidir, após a leitura vi que esse era o livro perfeito. Esse livro acabou se destacando entre as outras opções por se tratar de algo que eu sempre me perguntei como aconteceu. Principalmente por eu ter vivido um pouco a “era” da pirataria, ter utilizado programas como o Kazaa, Emule, Limewire e afins. E também ter baixado milhões de vírus junto com as músicas na época. hahahaha

Apesar de eu já ter baixado muitos discos na minha vida, ainda sou da velha guarda que compra CDs. Não compro tantos quanto gostaria porque infelizmente os preços aqui acabam sempre sendo muito maiores do que no exterior. Mas gosto de ter os discos físicos das minhas bandas preferidas, então ainda compro.

Enfim, em “Como a música ficou grátis: o fim de uma indústria, a virada do século e o paciente zero da pirataria” Witt conta todo o processo e surgimento da pirataria na internet, desde quando o formato .mp3 surgiu, como ele ganhou popularidade após ser rejeitado várias vezes entre os profissionais da área e como o formato fez com que os piratas conseguissem distribuir muito facilmente diversos CDs na web.

O livro tem bastante detalhes, o que torna a pesquisa realizada pelo autor ainda mais fascinante. Além de contar todo esse processo, ainda mostra como foram as investigações do FBI para chegar até Dell Glover, considerado o paciente zero da pirataria, e também chegar até seu “amigo” Kali, líder do grupo RNS. Glover trabalhava em uma fábrica da Universal e tinha acesso aos CDs mais aguardados do mundo semanas antes de seus lançamentos. Após entrar para o grupo RNS, o maior grupo de pirataria que já existiu e o considerado mais importante, começou a vazar os álbuns mais aguardados do mundo sempre algumas semanas antes de seus lançamentos. Sozinho conseguiu piratear e distribuir na internet mais de 20 mil CDs em 11 anos.

Eu achei a leitura incrível e para mim foi sensacional descobrir tudo isso. Continuo sem entender muito bem o porque de eles se motivarem tanto para vazarem os álbuns antes de seus lançamentos, visto que, não ganhavam nada com isso, além de “prestigio” que na verdade nem era tão grande assim, porque ninguém sabia quem eles eram, seus nomes, onde moravam e tudo mais. Era um prestigio anônimo.

E também não entendi muito bem porque Glover foi apenas julgado por pirataria e não por roubo, visto que, todos os álbuns vazados por ele, antes de chegarem à internet, foram roubados da fábrica da Universal que ele trabalhava…

Quem gosta de música deve ler o livro porque é muito interessante. Com certeza foi um dos que eu mais gostei de ler.

Valeu, Intrinseca pelo livro! (mesmo que tenha sido um sorteio). Amei!

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Passagens que achei interessantes:

“Ele foi diplomaticamente informado de que a indústria fonográfica não acreditava na distribuição eletrônica de música. […]

Por que eles não ouviram? Mas tarde, a RIAA daria diversas justificativas. A primeira foi que o argumento de Brandenburg servia aos próprios interesses. Para comercializar o .mp3 legalmente, a indústria teria que licenciá-los do Fraunhofer, o que teria custado caro. Considerando o número de arquivos pirateados hospedados online, a proposta de Branderbung poderia parecer chantagem – embora com certeza essa não tenha sido a sua intenção.”

“Por mais de uma década, o Rabid Neurosis se infiltra na cadeia de abastecimento da indústria fonográfica. Eles (RNS) haviam vasculhado o eBay em busca de cópias de divulgação de CDs; subordinado DJs de rádio e funcionários de lojas de discos; procurado brechas  em depósitos, emissoras de televisão e estúdios musicais; conseguiram até entrar nas próprias fábricas. Eles tinham vazado três mil álbuns por ano, de todos os gêneros musicais. Haviam construído uma rede de infiltração e disseminação presente no mundo inteiro. Nas sombras da internet, tinham escondido tesouros secretos de material pirateado, protegendo-os com uma criptografia indecifrável. Uma equipe do FBI e um pequeno exército de detetives particulares tentaram se infiltrar no grupo por mais de 5 anos e falharam. Os danos econômicos causado por eles à indústria fonográfica eram mensuráveis e reais e chegavam aos milhões e milhões de dólares.”

Beijos e boa leitura! 😉

Resenha: Como a música ficou grátis
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